quarta-feira, 23 de junho de 2010

São João


O dia tinha sido ruim. Para começar, teve que acordar cedo e ir ao centro da cidade com a mãe. Passou o dia todo andando, sem a mínina paciência para a conversa entre sua mãe e sua avó. Seu calcanhar doía. A cabeça também. Terrivelmente. Só pensava em chegar em casa e cair na cama. Nem precisava tomar banho. Uma cama e uma almofada já estariam ótimas. Porém, ao chegar em casa, viu que tinham coisas para arrumar. Deitou-se por 30 minutos no tapete do quarto. Só para sentir um pouco a necessidade de deitar em algum canto. Arrumou as coisas pendentes. É véspera de São João, e vai ter festa. Pelo menos não ficaria sozinha, ela pensou. O dia decidiu simplesmente não ser bom, e ela passou a festa sentada sozinha se empanturrando de comidas de milho, sentindo o cheiro da fumaça e da pólvora dos fogos. Tudo que queria, naquele momento, era um cigarro. Acenderia na fogueira. E ela não gosta muito de fumar, principalmente porque murcha os peitos, mas às vezes, nos sentimos tão angustiadas, tristes, dando desculpa que nossos olhos estão marejados por culpa da fumaça forte, que um cigarro não é nada quando comparado ao coração apertado.


Foto: Google
Escutando: As marteladas na cabeça pedindo cama.

Um comentário:

arthurtavlei disse...

Gostei do texto! =]

Começou a fumar?