terça-feira, 12 de março de 2013

Antes de dormir.

Sempre achei que o momento antes de ir dormir fosse o mais difícil. Porque mesmo que você esteja com muito sono, com o corpo demandando descanso, a sua mente pode estar funcionando a mil. Pode estar andando em pensamentos sem parar, como um carrossel ou mesmo como um tubarão. Porque você sabe né? Tubarões não param de nadar senão afundam. Pois é exatamente como a mente antes de dormir. Você tem até um livro de cabeceira, mas o que você queria mesmo era pregar os olhos e se entregar àquele sonho com o Thorin do Hobbit. Ou que está preso nas Lojas Americanas comendo todos os doces e brincando com todas aquelas imagens de ação. Mas não.

Daí você lembra a quantidade de coisas que tem que fazer no dia seguinte. E no outro. E no outro. E no outro.

E no outro.

E você perde o sono de vez para dar lugar ao desespero. Por que você está deitada na cama, enroladinha no lençol enquanto há quatro provas batendo fortemente em sua porta? Um projeto a ser escrito? Textos a serem lidos e fichados? 

É tanta coisa a se fazer que só de pensar, você cansa. 

Cansa tanto que o sono chegou. E o sono chegou com tanta força que a coragem que você tinha de guardar o caderno que você está escrevendo essa nota foi embora. 

Fica no chão mesmo, caderno. Amanhã eu te guardo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

My kind of trouble is Fitzgerald on a vinyl.


- Comprei um disco da Ella Fitzgerald... Perfeito. Todas as vezes que escuto, penso que sou uma personagem de um filme que se passa em Nova Iorque. E que estou prestes a me apaixonar e ter o emprego dos meus sonhos. E que tudo vai dar certo.
- Você quer dizer disco de vinil ou CD?
- Disco de vinil.
- Sério, não entendo ainda essa história de que disco de vinil é melhor que cd. Se o disco é melhor que o cd, por que ele parou de ser fabricado?
- Ele não parou de ser fabricado. Ele só diminuiu a produção. Junto com a produção de música de qualidade.
- Não não... Não entendo isso não. É você e minha irmã que ficam falando disso.
- Sua irmã deve ser uma pessoa bem legal. Gostaria de conhecê-la. Enfim, cara. Já até te mandei um link explicando o porquê da melhor qualidade. E não é só isso, a questão da qualidade sabe? É o ter discos. Ter aquelas prateleiras cheias; tirar o vinil da capa com cuidado, ver a agulha cantando Fitzgerald, Vaughan... Jazz numa vitrola é uma coisa totalmente diferente.
- Isso é coisa hipster, hipster.
- Bem, se se sentir bem tomando um bom café, ouvindo jazz na vitrola, com uma boa companhia é ser hipster... Bem... Sou hipster com muito prazer desde 2006.
Ele sorriu. – Como diz a Fitzgerald, my kind of trouble is you.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Só.


As pessoas tem uma ideia errada do querer ficar sozinho, de solidão, de ficar mais afastado das outras pessoas. Às vezes, eu mesma não entendo porque alguém quer ficar recluso, junto com seus pensamentos. Daí surge a necessidade em mim de querer ficar assim e passo a entender que todo esse sentimento de solidão é quase como um remédio para certas fases da nossa vida.

Claro que é bom dividir um tempo com os amigos. Principalmente aqueles que conhecem seu coração mais do que você e que um simples abraço deles já acalma a alma tormentosa. Mas é que quando a vida está em fase de mudança e você sente isso, é quase como a mudança da borboleta. É melhor ficar no casulo, num casulo com livros, uma xícara de café, algumas fitas (falei fita para entrar no espírito de As Vantagens de Ser Invisível), uma cama e uma TV para assistir filmes.

Nesses dias, eu vi alguns amigos e foi até bom. Bom demais. Mas ficar sozinha, pelo menos nessas últimas semanas, tem respondido algumas perguntas que estavam na minha cabeça há alguns meses. Talvez a minha solidão tenha esse poder, de me fazer solucionar certos cálculos da vida.

sábado, 12 de janeiro de 2013

"... recursos fadados ao fracasso"

Todo começo de ano é aquela coisa: vou fazer minha lista de resoluções, estabelecer metas... Esse vai ser um bom ano. Dos 365 dias que formaram 2012, posso dar a probabilidade que apenas 80 foram bons. O resto foi aquele tipo de dia que você acorda, vive e dorme. Assim, eu esperava que eu começasse o ano de 2013 com uma esperança. Uma esperançazinha. Nem precisava ser uma vela de 7 dias. Poderia ser aquelas que servem de decoração. Bem pequenininhas. Mas sabem aquele ditado, que Deus jogou os dados errados? Bem, posso dizer que meus dados estão viciados e desde 1 de janeiro as coisas estão soltas, sem rumo e nada bem. E parece que hoje, 12 de janeiro, um sábado, as coisas ruins se concentraram. Em apenas 2 horas eu quebrei o farol do carro, quase atolei, comecei a ter aula de processo civil (uma das disciplinas mais complicadas e exaustivas da grade do curso de Direito) num sábado na Universidade Federal que é praticamente em outro município... 

E o pior de tudo: eu não vejo a luz no fim do túnel. "I started lookin' for a warning sign". A vida deveria vir com um kit de emergência nesses momentos. O que fazer quando você está cansado das pessoas? Ou da faculdade que você escolheu? O que fazer quando você percebe que a determinação que você teve até os seus 20 anos de idade não te levou para o lugar que você pensava que seria o teu lugar ideal? E quando você começa a se frustrar e se cansar de tudo? Vida, o que eu faço? Eu li que os jovens de 20 anos estão sofrendo crises existenciais, porque é fase universitária, da busca de emprego... Quer dizer que eu sou um desses jovens? É apenas uma fase, alguns dias, alguns anos... Uma década? Vida, me diz se vai durar muito porque o negoço tá foda.

Daí que eu tenho vontade de me mudar. Deixar a faculdade, fazer uma coisa que eu gosto, ir para o lugar mais distante que eu possa ir. Mas como fazer isso? Se eu não tenho emprego, se eu não tenho dinheiro? Como deixar uma faculdade que já estou há 2 anos e meio e simplesmente sumir? Me apagar do mapa do agora?


E assim, volto pra estaca inicial. Talvez eu não tenha tanta coragem assim. Talvez eu seja como os recursos da aula de hoje: simplesmente fadados ao fracasso.


Ouvindo: The Scientist - Coldplay.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Agenda: 21/12 - Preparada para o fim.

- Você viu? A NASA disse que o mundo não vai acabar dia 21 de dezembro. Ela fez uma conferência para avisar os terráqueos de que o mundo não iria acabar. Não acredito que tenham pessoas que acreditam nisso.
- E quem é a NASA para dizer isso?
- Oi? Você acredita nessa história?
- "No creo en las brujas. Pero que las hay, las hay". Não acredito, mas tenho esperança.
- Esperança que o mundo acabe?
- Sim. Estou de saco cheio já. É faculdade, é crise econômica, é guerra... Tá bom do mundo acabar já. Todo mundo já tá cansado. Sem contar que o mundo acabando no dia 21, eu não ia precisar comprar roupa nova pro Natal e pro Ano Novo... Tudo ia acabar. Um meteoro atingiria a Terra e tudo ficaria bem.
- Tudo ia ficar bem com a gente morto?
- Aham. O mundo ia explodir e txanran! Não dizem que somos poeira no espaço? Nos tornaríamos poeira no espaço no sentido literal da palavra!
- É poeira das estrelas.
- Poeira das estrelas, poeira nas estrelas... Whatever.
- Você parece cansada do Planeta Terra.
- Mas eu estou.
- E se uma nave vogon aparecesse? Ou o Doutor? E pudesse te salvar?
- Bem aí é diferente. O mundo poderia continuar no seu plano de extinção. EU ia sair daqui.
- E deixar todo mundo? Morrendo? Isso não é um pouco egoísta?
- É o fardo que eu terei que levar. Assim como o último Lorde do tempo. Deal with it.

domingo, 21 de outubro de 2012

Me dá aquele teu camisão?

Chegaram do trabalho e decidiram fazer juntos um ravioli. Não, não tinham força, nem coragem o suficiente para cozinhar uma massa fresca. Compraram aquela pronta e uma garrafa de vinho. Pegaram o molho de tomate e colocaram mangericão fresco da pequena horta que ela havia feito na varanda do apartamento. Comeram assistindo o jornal. Tomaram banho juntos e transaram no chuveiro.

- Amor, meus pijamas estão sujos, me dá aquele teu camisão?
- Dorme de calcinha.
- Mas eu fico com frio mais tarde.
- Ok, pega na gaveta.

Deitaram. Ele acendeu o abajur e eles começaram a ler. Ele, algo sobre música. Ela sobre a economia brasileira.

- Tô com sono, amor. Demora pra dormir não, tá?

Ela virou para um lado da cama e aos poucos foi pegando no sono, mas antes disso, viu o quarto ficar escuro e sentiu os braços dele em seu corpo formando uma conchinha e a protegendo de qualquer pesadelo que pudesse ter.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A vontade de sair.

O que fazer
Quando sua casa não é mais seu lar?
O que fazer
Quanto tu sentes mais pra lá que cá?
Quando tua vida não é mais a mesma,
Quando tua vida não é mais aqui.

Como saber
Que caminho eu tenho que seguir?
Mas tenho medo de cair ali
Ou me perder e não saber sair...

E o coração se torna um nó só
E as raízes vão tornando pó.
E num instante você entende,
Que nada mais na cidade te prende,
Que nada mais pra ti pertence...

Ou é você que nunca pertenceu?