domingo, 27 de setembro de 2009

Oooh.


Ela chegou em casa e deixou os sapatos na porta.
Na boca, ainda sentia o sabor da cachaça, e na cabeça, uma leve tontura.
Ela bebeu apenas um copo,
E o desejo de beber mais crescia.
Ela simplesmente sentia a necessidade de beber mais.
Não sabia por quê.
Na verdade, sabia sim.
Mas não queria dizer.
Ou talvez, não havia motivo algum.
Ela só queria uma quantidade maior de álcool, porque ela passou a tarde lembrando-se do passado.
Ou queria mais álcool, para esquecer as pequenas coisas que a aborreciam.
Ela não queria que essas pequenas coisas a aborrecessem...
Mas era da natureza dela, e não tinha como negá-las.
Sentia-se mal, por fazê-lo sentir-se mal.
Ah... O efeito do álcool já deve estar me afetando.


Boa noite.


Escutando: Unnatural Selection - Muse
Foto:Caipirinha by ~BlameDaMoon

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A morte no banheiro


Era feriado, mas os planos eram de semana. Estava em provas, e precisava estudar. E também estava na TPM, ou seja, não estava lá tão bem. Acordei já abusada com a vida. Minha terapia na tensão pré-menstrual é a limpeza e arrumação, então apesar de ter que estudar, decidi arrumar meu quarto que precisava de uma limpeza nos livros e discos de vinil. Depois de passar a manhã completa mais um pedaço da tarde enfurnada no meu espaço entre quatro paredes, lavei os pratos e tomei banho para começar os estudos. Até aí você pode achar que apesar da minha TPM, meu dia poderia estar bem. ERRADO. O já considerado filho da puta do meu vizinho decidiu fazer uma ‘festinha’ e nisso, pôs a altura do som em um nível absurdo para uma região residencial. Como estudar se nem me concentrar eu poderia no barulho infernal que estava? Fui até a casa do infeliz e pedi que a altura do som fosse abaixada. Porém, minhas palavras foram ao vento. Mais estressada que um trabalhador da bolsa de valores em um dia de altos e baixos, pesquisei sobre a Lei do silêncio e vi que meu vizinho poderia ser preso por 15 dias. Ou até mesmo 3 meses! Quase que eu ligava para a polícia, porém minha mãe me impediu, dizendo que eu devo saber conviver com as pessoas, e não deveria arranjar confusão com o vizinho. Controlei-me e mais uma vez pedi que a altura do som fosse abaixada. NADA. Era como se eu estivesse falando com uma parede. Minha mãe continuou me impedindo de ligar para a polícia, e a única coisa que eu poderia fazer era rezar pela morte de um vizinho tão ruim. Milagrosamente, mesmo com o som, consegui estudar. Tudo isso ocorreu entre 15:00 e 19:00. Às 22:30, fui dormir depois de uma noite entre os livros. Aproximadamente às 4:30 da manhã, o filho da puta do vizinho vem com mais barulho. Dessa vez, era um barulho natural. A peste estava vomitando. Eu sei que isso pode parecer estranho, mas da minha casa toda dava para ouvir a criatura vomitar. A única coisa que eu pensava era na morte dele. Sei lá... Quem sabe ele escorregava no banheiro, batia a cabeça no chão e se asfixiava no próprio vômito? Seria um alívio para mim, saber que eu não mais seria perturbada por ignorância sonora. Saí de casa umas 3 horas depois de ter sido acordada pelo tal do vizinho. Ao sair, uma ambulância se encontrava na casa ao lado. Curiosa, perguntei ao porteiro o que havia ocorrido.

- Ah, sabe o Felipe? Tava de ressaca, e hoje pela manhã estava vomitando sem parar. Foi ao banheiro e o chão estava molhado. Bateu a cabeça no vaso sanitário e se afogou no próprio vômito.

- Sério? Isso eu não imaginava...


Ouvindo: Uprising - Muse
Foto: Death Poops by stoopidartkid

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Eu sou foda


Não apostei no dia de hoje.
Uma sexta sem nada planejado.
Saída, passeio, andada na praia, ver o namorado.
Nada.
Mas como nunca mais tinha acontecido,
O dia foi o mais tranqüilo e prazeroso.
Mesmo tendo aulas pela manhã e pela tarde,
Todas elas foram interessantes e empolgantes.
Até mesmo a de matemática e a de física.
E a de química de tarde.
E ainda mais as duas de história, onde o professor nos recomendou que quando chegássemos em casa, olhássemo-nos no espelho e dissessemo-nos: Eu sou foda. Questão de aumentar a auto-estima para o vestibular próximo. E também a última de literatura no fim da tarde,
Na boca da noite lembrando-me a pergunta: O que fazer numa noite de sexta?
Cheguei em casa.
- CHEGUEI!
Nenhuma resposta.
- Oi?
Ninguém em casa.
Atirei-me no sofá.
As patricinhas de Beverly Hills na TV: “É incrível como eu me divirto mais em casa do que em algumas festas”
É incrível como alguns filmes sentem nossas necessidades.
Coloquei KT Tunstall no som em um volume consideravelmente alto.
Arrumei meu quarto.
Lavei os pratos.
Tomei banho.
Jantei.
Em uma alegria independente que eu não sentia há meses.

Olhei-me no espelho e disse para mim mesma:
Eu sou foda.


Foto: By moidsch
Escutando: Right as Rain - Adele

sábado, 29 de agosto de 2009

Café e cinema


Já era tarde quando eles saíram do cinema. Pegaram a última sessão de domingo, aquela sessão de arte. Até que o filme foi bom. Um alemão. Ela deve admitir que já assistiu melhores. Não tão monótono como o dessa noite. Já basta ser domingo.
- Café?
- O quê? – Ele interrompeu sua reflexão sobre o filme e ela pareceu bem mais distraída.
- Topa tomar um café lá em casa? – Ele formulou a pergunta.
- Um café sempre vai bem.
Cada um em seu carro seguiu para o centro da cidade, onde ele tinha um apartamento com uma bela vista de pequenos pontos brilhantes. No elevador, ela podia sentir o olhar dele no espelho, olhando-a atenciosamente e delicadamente. Ele apertou o sétimo andar.
- Não repare a bagunça por favor – ele disse ao entrar no apartamento levemente iluminado.
- Se isso é bagunça, meu quarto é um caos. Acredite.
E ao dizer isso, começou a estudar todos os cômodos e cantos da sala. Era sua mania. Seu hobby. Havia uma poltrona grande no canto, e um tapete de retalhos no chão. Uma estante cheia de livros e CD’s. Não tinha TV, mas um aparelho de DVD.
- TV no conserto?
- Não. É que eu não gosto de assistir filmes naquela tela pequena. Preferi comprar um desses novos aparelhos que projetam as coisas na parede. – E ao dizer isso apontou para o teto, onde um projetor digital estava preso num suporte próprio.
- Inteligente. – disse ela já se abaixando para ver a coleção de filmes – Edward mãos de tesoura!
- É um dos novos clássicos!
- Com plena certeza! – Ela disse rindo. – Você poderia me dar de aniversário hein?
- Assim que você me der aquele disco dos Beatles que você tem.
- Nem vitrola você tem!
- Com um disco daquele, eu procuraria uma vitrola para mim.
Ele saiu de trás do balcão e trazendo duas xícaras de café. Foi até a estante e escolheu um cd de jazz.
- Gosta?
- Amo.
E quando o leitor do som começou a emitir aqueles sons prazerosos, ele a tomou nos braços e a conduziu para a dança. Ela sentia os passos leves no ritmo da música e os dedos dele começando a percorrer seu corpo. Das costas para o pescoço. Do pescoço para os cabelos. Dos cabelos para as bochechas. Das bochechas para os lábios. Lábios com lábios.
Da sala para o quarto. Na noite adentro, os dois se sentiam. Naquela mesma dança. Naquela dança universal. O vento frio da madrugada entrava pela janela arrepiando os corpos, transformando o sentimento mais sensível.
E nos primeiros raios do dia, eles dormiram.



Ela acordou com as buzinas lá fora e o sol adentrando o quarto. Sorriu e olhou para o lado. Vazio. Apenas a almofada branca e já fria. No criado-mudo, um bilhete.

“O dia está lindo. Fui dar bom dia ao dia”

Ela acordou sozinha. Arrumou suas coisas e escreveu um bilhete.

“A noite foi linda para se acordar sozinha. Peguei uma de suas caixas de suco de laranja e o DVD do Edward. Vou dar bom dia ao dia”

Abriu a porta e saiu.


Escutando: New Born - The string quartet (Tribute to Muse)
Foto: Midnight Coffee by ~Fannooo

sábado, 22 de agosto de 2009

Bússola


Acordei em agosto pensando ser dezembro.
Levantei-me depois a semana de provas mensais pensando ser depois das provas do vestibular.
Senti o sol de inverno pensando ser de verão.
Coloquei no Windows media player Feist e KT Tunstall estudando física, pensando estar escrevendo um post de férias para o blog.
Escutei Amy Winehouse comprometida com alguém, pensando ainda estar apenas paquerando-o.
Acordei meio desnorteada.
Pensando ser norte o sul.
O oeste o leste.
É um desnorteamento bom.
Sem tristeza ou melancolia.
É arrumar a casa com o céu ficando nublado lá fora,
E escrever o texto que parece não ter nada com nada,
Mas que descreve perfeitamente uma pessoa que espera a noite de sábado para ficar na sala comendo alguns Doritos e Nestea de limão e quem sabe depois um café, assistindo Saturday Night Live.


Escutando: Nada.
Foto: Pirates Star Compass Hairclips by SteamSociety

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sol


Adoro dias ensolarados.
Lembram-me férias.
E nos últimos dias, o céu tem se mostrado meio tristonho.
Chorando um bocado.
Talvez ele viu que eu não poderia aproveitá-lo tanto quanto queria essa semana.
Semana de prova sabe?
Não posso ir para a praça ler o livrinho francês que estou lendo,
Sentada embaixo da árvore,
Sentindo aquele ventinho da tarde.
Queria tanto poder deitar na grama,
E escutar os mínimos barulhos da rua.
Mas são tantas as coisas para estudar,
Para pensar,
Para se dedicar,
Que todas essas coisas devem ser deixadas de lado.

A solução é estudar, pensar e se dedicar. E esperar tudo isso acabar. Mesmo que uma semana, ou mesmo quatro meses de estudos para o vestibular demore.
Quem sabe vale realmente a pena.


Escutando: Girl and the ghost - KT Tunstall
Foto: Sun Rise Sun Set by ~FilmThis

sábado, 25 de julho de 2009

Sábado


Com um pacote de cookies e uma garrafa de chá gelado,
Deitei-me na frente da TV.
São 21:45 da noite de sábado,
E eu estou me embebedando com uma bebida não-alcóolica...
Imagina a ressaca de amanhã.
Aqueles dias que só se tem a vontade de estar isolado do mundo,
Só você e você.
Quem sabe um jazz tocando na vitrola,
Ou aquela cantora britânica com aquele ar de céu de Londres, cantando aquelas músicas que sempre te faz se sentir mais embriagada pelo sentimento de boa solidão.
Ou até uma outra pessoa com a mesma agonia, poderia fazer companhia, deitada no sofá do lado, dividindo o pacote de cookies.
Dividindo não. Com um outro pacote.
E assim, assistindo o filme chato e velho do Telecine Cult, pegaríamos no sono e às 9 da manhã do dia seguinte, acordaríamos com as bocas sujas de chá gelado, cookies e chocolate, e a TV em um canal diferente, mostrando as propagandas do Teleshopping.


Escutando: Letter Read - Rachael Yamagata
Foto: sofa softies by =SimonSawSunlight