quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sol


Adoro dias ensolarados.
Lembram-me férias.
E nos últimos dias, o céu tem se mostrado meio tristonho.
Chorando um bocado.
Talvez ele viu que eu não poderia aproveitá-lo tanto quanto queria essa semana.
Semana de prova sabe?
Não posso ir para a praça ler o livrinho francês que estou lendo,
Sentada embaixo da árvore,
Sentindo aquele ventinho da tarde.
Queria tanto poder deitar na grama,
E escutar os mínimos barulhos da rua.
Mas são tantas as coisas para estudar,
Para pensar,
Para se dedicar,
Que todas essas coisas devem ser deixadas de lado.

A solução é estudar, pensar e se dedicar. E esperar tudo isso acabar. Mesmo que uma semana, ou mesmo quatro meses de estudos para o vestibular demore.
Quem sabe vale realmente a pena.


Escutando: Girl and the ghost - KT Tunstall
Foto: Sun Rise Sun Set by ~FilmThis

sábado, 25 de julho de 2009

Sábado


Com um pacote de cookies e uma garrafa de chá gelado,
Deitei-me na frente da TV.
São 21:45 da noite de sábado,
E eu estou me embebedando com uma bebida não-alcóolica...
Imagina a ressaca de amanhã.
Aqueles dias que só se tem a vontade de estar isolado do mundo,
Só você e você.
Quem sabe um jazz tocando na vitrola,
Ou aquela cantora britânica com aquele ar de céu de Londres, cantando aquelas músicas que sempre te faz se sentir mais embriagada pelo sentimento de boa solidão.
Ou até uma outra pessoa com a mesma agonia, poderia fazer companhia, deitada no sofá do lado, dividindo o pacote de cookies.
Dividindo não. Com um outro pacote.
E assim, assistindo o filme chato e velho do Telecine Cult, pegaríamos no sono e às 9 da manhã do dia seguinte, acordaríamos com as bocas sujas de chá gelado, cookies e chocolate, e a TV em um canal diferente, mostrando as propagandas do Teleshopping.


Escutando: Letter Read - Rachael Yamagata
Foto: sofa softies by =SimonSawSunlight

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Where the wild things are


Estou cansada.
Talvez seja hora de arrumar minha mochila e fugir de casa.
Sabe, deixar o meu quarto cheio de livros, e ter o mundo para escrever.
As paredes e móveis me prendem,
Quem sabe algumas árvores e campos abertos me tragam alguma coisa.
Você pode vir comigo se quiser,
Afinal,
Você é a única pessoa que consegue me tranqüilizar nos momentos de caos.
A gente pode ver algumas estrelas,
Nas noites mais escuras. Quem sabe a gente possa até ver a Via Láctea.
Eu coloco na minha mochila cookies,
E em algum pasto podemos tirar leite na vaca.
Eu soube que assim que sai dela, o leite é quente.
Faríamos uma fogueira para nos esquentarmos,
E podíamos dormir de mãos dadas olhando a constelação de escorpião,
Porque ela é mais fácil de achar.
No caminho a gente pode chamar mais pessoas,
E podíamos viajar todos juntos!
Pessoas que nem nós,
Cansados de quatro paredes e livros.


Escutando: Wake up - The arcade fire
Foto: Run away by ~Becso

terça-feira, 16 de junho de 2009

Barquinho de papel


Com o pacote de cookies numa mão e a grande xícara de café na outra, sentei na cama e ouvi o disco dos Beatles que ganhei de aniversário do meu amigo. Eu tinha preguiça. Não tinha sono. Não tinha criatividade para nada.

Eu queria escrever uma carta. Para quem?
Eu queria fugir. Para onde?
Eu queria escrever. O quê?
Eu queria chorar. Por quê?

As coisas parecem estar voltando ao normal. Pelo menos o desejo de voltar ao normal está aparecendo. Surgindo no horizonte. Acordando-me de um sono que durou alguns meses. A minha escrita está péssima. Digito palavras soltas que vem a cabeça sem nenhuma linha que organize as idéias.

Talvez seja hora de dormir, e deixar o barquinho de papel navegar livremente na água da chuva que acabou de cair.


Foto: Vapour Trail by ~janinaha (Deviantart)
Escutando: Stockholm Syndrome - Muse by The string quartet

sábado, 13 de junho de 2009

Obrigada.


Apesar de ter acordado ao meio-dia, ainda sentia sono. Sabe aqueles dias que acordamos sabendo que o dia não terá nada de novo e ainda assim, parece que ele vai ser um dia interessante? Depois de minha xícara de café às 6 da tarde com os cookies da lata bonita, coloquei aquele CD antigo que encontrei perdido na gaveta: Alanis Morissette unplugged MTV. É tão estranho pensar no quanto mudei nos últimos dois anos. Porque É realmente estranho. É como se eu não reconhecesse quem eu era, e só lembrar alguns pedaços. Eu tinha cabelo grande como o da Morissette. E parecia que nunca, NUNCA eu ia cortar. Hoje, meu cabelo está acima do ombro. Bem como o da Alanis quando ela sumiu e depois voltou.
Estou no track 3 do disco, e eu sei que você não está lendo esse texto simples, mas obrigada por ter me dado a chance de cometer o maior erro da minha vida. Porque apesar de ter sido o maior erro que eu fiz com a pessoa que eu amava, essa falha me proporcionou as melhores coisas que eu pude ter na minha vida até agora. E isso pode parecer clichê. Essa história de 'erro-ensinamento', mas eu não imagino o que seria de mim sem isso. O melhor ano da minha vida foi depois disso. As melhores pessoas que eu encontrei foi depois disso. O melhor eu foi depois disso. E apesar d'eu sentir falta dos momentos que passamos juntas e juntos, eu não consigo te imaginar ao meu lado hoje.
E por isso me desculpo. Pelo meu egoísmo. Pela minha maldade. Pela minha falta de sentimento por mostrar essa verdade que deveria ser posta na última gaveta do armário. Mas obrigada, por ter me deixado e ter me feito viver da minha forma.

Mais uma vez, obrigada.


(O que a Alanis tem para me fazer pensar tanto?)


Escutando: These are the thoughts - Alanis Morissette (Porque esses são meus pensamentos expostos para você)
Foto: coffee by ~SawsaN-0 (Deviantart)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Absolutamente nada de interessante


Saí da aula ‘nas carreiras’. Corri até a casa da minha amiga para dar um oi, e assistir o jornal. Para quê assistir o jornal é o que vocês perguntam? Para ver a banda do meu namorado tocar por 10 segundos uma das minhas músicas favoritas e fazer a propaganda do show que eles vão ter amanhã. É estranho falar namorado. Na-mo-ra-do. Eu fugi tanto dessa palavra nos últimos 2 anos e agora eu falo mais dele do que bolo de chocolate. E olhe que eu prefiro bolo de chocolate. Enfim. Chego em casa e mamãe deixou dinheiro para eu pedir almoço. Peço comida chinesa. Eu nunca mais comi. Empanturro-me de frango xadrez e risoto. Não veio bolinho primavera. Telefone toca: costureira dizendo que 2, dos 4 vestidos que eu pedi, estão prontos. Já posso pegar. Pego-os. Pago-os. Chego em casa, provo-os. Testo-os para ver com qual eu vou para o show amanhã. Droga. O vermelho de bolinha não está pronto ainda. Amanhã logo cedo eu pego. Preguiça de lavar os pratos. Vejo programação de filmes na rede Telecine. P.S. Eu te amo acabou de começar. Colo-me no sofá e durante o filme começo a chorar. Meu Oingo Boingo* liga. Mas ele não repara que eu estou chorando porque eu sou uma ótima ‘escondedora’. Enfim. Digo como os vestidos ficaram bonitos. Acabo de assistir o filme inspirada. Arrumo a sala. Coloco um disco na minha vitrola e venho escrever esse texto, que apesar de não ter absolutamente nada de interessante, eu ainda assim posto aqui.

* Apelido que meu namorado pôs nele mesmo porque eu gosto da banda Oingo Boingo.


Escutando: Knights of Cydonia - Muse
Foto: girls in white dresses by ~curlytops

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um copo de 300 ml por favor?


O dia começou ruim. Nas primeiras horas do dia, na madrugada fria e escura de outono, sonhos, ou melhor, dizer, pesadelos assombraram meu sono, fazendo-me acordar em intervalos pequenos. Pesadelos bizarros, onde o professor de física era meu amante. Nada mais bizarro que isso. Talvez porque eu fiquei em recuperação na matéria, as fórmulas e números se personificaram naquele homem, que agora me persegue até em sonhos. Acordei com a batida de minha irmã na porta desejando ser sábado, quando ainda estamos na quinta. O céu não caia como no dia anterior, o que ainda ajudava a levantar-me da cama. Senti a água fria tocar minha pele bruscamente. Queria ficar ali a eternidade sentindo aquela dor do frio sobre a pele morna. Não tomei meu café. No trajeto à aula, observava a rua. O céu de outono mostrando vestígios das nuvens da tempestade do dia anterior. Chegando a sala peguei o interessante livro e comecei a lê-lo. Nem dei bom dia às pessoas. Não tive vontade. Hoje o dia não está para tratá-las bem. Esqueci que tinha aula de piano depois das aulas matutinas. Por causa de uma manifestação (que até agora não sei a razão), tive que voltar para casa de ônibus. Não que isso seja um problema, mas depois de esperar 30 minutos pela minha mãe que disse que me pegaria isso se tornou um problema. Uma dor de cabeça me atormentava, e ao chegar em casa a única coisa que eu desejava era deitar e dormir. Sem sonhos. Deitar e desmaiar. Não desmaiei. Mas consegui um sono cheio de sonhos novamente estranhos. Minha mãe me acorda lembrando-me que eu ainda tinha aula de francês. Olho o relógio e vejo que tenho tempo suficiente para me arrumar e pegar novamente um ônibus. Porém, ligações atrapalharam o meu cronômetro, e me atrapalhei toda para sair. Iria me encontrar com ele uns minutos antes da aula. Só para nos vermos.
- Onde você está?
- Em casa. Atrasei-me, mas já estou saindo. Está saindo da sua aula?
- Na verdade já estou aqui.
- Mas sua aula só termina às 17:30, e ainda são 17:15.
- É, mas hoje terminou cedo.

A raiva subiu e todo aquele abuso que foi se acumulando durante todo o dia apareceu. Eu peguei as coisas rapidamente e corri ao ponto de ônibus. Chegando lá, vejo que o meu tinha acabado de passar. Mato-me. Merda. Sentando no banco e me preparando para minutos de espera, olho o livro do curso e vejo que peguei o errado. Não vou mais assistir a aula.

- Escolha um lugar para irmos, porque eu não vou mais para a aula.
- Hum... Okay.
- Quando eu estiver aí perto eu te dou um toque e você pega o mesmo ônibus que eu. Assim resolvemos para onde ir.
- Certo.

3 paradas antes da que ele ia pegar, eu ligo. Mas o destino estava decidido a fazer o meu dia ficar pior. Ele pega outro ônibus pensando que eu me encontrava naquele.

- Cadê você?
- Descendo a ladeira.
- Erh. Eu peguei um outro ônibus.
- Eita diazinho... Espere-me no shopping.

Lembrei-me que a Mcdonalds agora vendia café. Eu necessitava de um. Café ou cigarros. Café seria melhor. E com o MP3 no ouvido, uma cara totalmente fechada para as pessoas ao redor e o desejo incessante de café, desço do ônibus e o encontro. Para piorar, esperando meu café e as batatas fritas, coca-cola e Mchicken dele, vejo ao meu lado uma menina cuja aparência nada me agrada. Não que ela seja feia, até porque não me importo com isso. Mas porque ela me lembra alguém que eu não gosto de lembrar. E eu nem conheço essa pessoa que eu não gosto de lembrar. Mas eu sei que ele... Enfim... Peguei meu café coloquei 4 pacotinhos de açúcar e queimei minha língua. Vimos livros na pequena livraria e voltamos para casa. No trajeto eu ainda encontro uma pessoa que eu nem faço questão de ver.

O dia foi realmente ruim. Deus jogou os dados ruins para o meu dia. E desejo mais um copo de 200 ml do café preto e quente da Mcdonalds. Talvez um de 300 ml seja até melhor.


Escutando: Sober - Muse
Foto: The McCafe. by ~transientt