terça-feira, 16 de junho de 2009

Barquinho de papel


Com o pacote de cookies numa mão e a grande xícara de café na outra, sentei na cama e ouvi o disco dos Beatles que ganhei de aniversário do meu amigo. Eu tinha preguiça. Não tinha sono. Não tinha criatividade para nada.

Eu queria escrever uma carta. Para quem?
Eu queria fugir. Para onde?
Eu queria escrever. O quê?
Eu queria chorar. Por quê?

As coisas parecem estar voltando ao normal. Pelo menos o desejo de voltar ao normal está aparecendo. Surgindo no horizonte. Acordando-me de um sono que durou alguns meses. A minha escrita está péssima. Digito palavras soltas que vem a cabeça sem nenhuma linha que organize as idéias.

Talvez seja hora de dormir, e deixar o barquinho de papel navegar livremente na água da chuva que acabou de cair.


Foto: Vapour Trail by ~janinaha (Deviantart)
Escutando: Stockholm Syndrome - Muse by The string quartet

sábado, 13 de junho de 2009

Obrigada.


Apesar de ter acordado ao meio-dia, ainda sentia sono. Sabe aqueles dias que acordamos sabendo que o dia não terá nada de novo e ainda assim, parece que ele vai ser um dia interessante? Depois de minha xícara de café às 6 da tarde com os cookies da lata bonita, coloquei aquele CD antigo que encontrei perdido na gaveta: Alanis Morissette unplugged MTV. É tão estranho pensar no quanto mudei nos últimos dois anos. Porque É realmente estranho. É como se eu não reconhecesse quem eu era, e só lembrar alguns pedaços. Eu tinha cabelo grande como o da Morissette. E parecia que nunca, NUNCA eu ia cortar. Hoje, meu cabelo está acima do ombro. Bem como o da Alanis quando ela sumiu e depois voltou.
Estou no track 3 do disco, e eu sei que você não está lendo esse texto simples, mas obrigada por ter me dado a chance de cometer o maior erro da minha vida. Porque apesar de ter sido o maior erro que eu fiz com a pessoa que eu amava, essa falha me proporcionou as melhores coisas que eu pude ter na minha vida até agora. E isso pode parecer clichê. Essa história de 'erro-ensinamento', mas eu não imagino o que seria de mim sem isso. O melhor ano da minha vida foi depois disso. As melhores pessoas que eu encontrei foi depois disso. O melhor eu foi depois disso. E apesar d'eu sentir falta dos momentos que passamos juntas e juntos, eu não consigo te imaginar ao meu lado hoje.
E por isso me desculpo. Pelo meu egoísmo. Pela minha maldade. Pela minha falta de sentimento por mostrar essa verdade que deveria ser posta na última gaveta do armário. Mas obrigada, por ter me deixado e ter me feito viver da minha forma.

Mais uma vez, obrigada.


(O que a Alanis tem para me fazer pensar tanto?)


Escutando: These are the thoughts - Alanis Morissette (Porque esses são meus pensamentos expostos para você)
Foto: coffee by ~SawsaN-0 (Deviantart)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Absolutamente nada de interessante


Saí da aula ‘nas carreiras’. Corri até a casa da minha amiga para dar um oi, e assistir o jornal. Para quê assistir o jornal é o que vocês perguntam? Para ver a banda do meu namorado tocar por 10 segundos uma das minhas músicas favoritas e fazer a propaganda do show que eles vão ter amanhã. É estranho falar namorado. Na-mo-ra-do. Eu fugi tanto dessa palavra nos últimos 2 anos e agora eu falo mais dele do que bolo de chocolate. E olhe que eu prefiro bolo de chocolate. Enfim. Chego em casa e mamãe deixou dinheiro para eu pedir almoço. Peço comida chinesa. Eu nunca mais comi. Empanturro-me de frango xadrez e risoto. Não veio bolinho primavera. Telefone toca: costureira dizendo que 2, dos 4 vestidos que eu pedi, estão prontos. Já posso pegar. Pego-os. Pago-os. Chego em casa, provo-os. Testo-os para ver com qual eu vou para o show amanhã. Droga. O vermelho de bolinha não está pronto ainda. Amanhã logo cedo eu pego. Preguiça de lavar os pratos. Vejo programação de filmes na rede Telecine. P.S. Eu te amo acabou de começar. Colo-me no sofá e durante o filme começo a chorar. Meu Oingo Boingo* liga. Mas ele não repara que eu estou chorando porque eu sou uma ótima ‘escondedora’. Enfim. Digo como os vestidos ficaram bonitos. Acabo de assistir o filme inspirada. Arrumo a sala. Coloco um disco na minha vitrola e venho escrever esse texto, que apesar de não ter absolutamente nada de interessante, eu ainda assim posto aqui.

* Apelido que meu namorado pôs nele mesmo porque eu gosto da banda Oingo Boingo.


Escutando: Knights of Cydonia - Muse
Foto: girls in white dresses by ~curlytops

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um copo de 300 ml por favor?


O dia começou ruim. Nas primeiras horas do dia, na madrugada fria e escura de outono, sonhos, ou melhor, dizer, pesadelos assombraram meu sono, fazendo-me acordar em intervalos pequenos. Pesadelos bizarros, onde o professor de física era meu amante. Nada mais bizarro que isso. Talvez porque eu fiquei em recuperação na matéria, as fórmulas e números se personificaram naquele homem, que agora me persegue até em sonhos. Acordei com a batida de minha irmã na porta desejando ser sábado, quando ainda estamos na quinta. O céu não caia como no dia anterior, o que ainda ajudava a levantar-me da cama. Senti a água fria tocar minha pele bruscamente. Queria ficar ali a eternidade sentindo aquela dor do frio sobre a pele morna. Não tomei meu café. No trajeto à aula, observava a rua. O céu de outono mostrando vestígios das nuvens da tempestade do dia anterior. Chegando a sala peguei o interessante livro e comecei a lê-lo. Nem dei bom dia às pessoas. Não tive vontade. Hoje o dia não está para tratá-las bem. Esqueci que tinha aula de piano depois das aulas matutinas. Por causa de uma manifestação (que até agora não sei a razão), tive que voltar para casa de ônibus. Não que isso seja um problema, mas depois de esperar 30 minutos pela minha mãe que disse que me pegaria isso se tornou um problema. Uma dor de cabeça me atormentava, e ao chegar em casa a única coisa que eu desejava era deitar e dormir. Sem sonhos. Deitar e desmaiar. Não desmaiei. Mas consegui um sono cheio de sonhos novamente estranhos. Minha mãe me acorda lembrando-me que eu ainda tinha aula de francês. Olho o relógio e vejo que tenho tempo suficiente para me arrumar e pegar novamente um ônibus. Porém, ligações atrapalharam o meu cronômetro, e me atrapalhei toda para sair. Iria me encontrar com ele uns minutos antes da aula. Só para nos vermos.
- Onde você está?
- Em casa. Atrasei-me, mas já estou saindo. Está saindo da sua aula?
- Na verdade já estou aqui.
- Mas sua aula só termina às 17:30, e ainda são 17:15.
- É, mas hoje terminou cedo.

A raiva subiu e todo aquele abuso que foi se acumulando durante todo o dia apareceu. Eu peguei as coisas rapidamente e corri ao ponto de ônibus. Chegando lá, vejo que o meu tinha acabado de passar. Mato-me. Merda. Sentando no banco e me preparando para minutos de espera, olho o livro do curso e vejo que peguei o errado. Não vou mais assistir a aula.

- Escolha um lugar para irmos, porque eu não vou mais para a aula.
- Hum... Okay.
- Quando eu estiver aí perto eu te dou um toque e você pega o mesmo ônibus que eu. Assim resolvemos para onde ir.
- Certo.

3 paradas antes da que ele ia pegar, eu ligo. Mas o destino estava decidido a fazer o meu dia ficar pior. Ele pega outro ônibus pensando que eu me encontrava naquele.

- Cadê você?
- Descendo a ladeira.
- Erh. Eu peguei um outro ônibus.
- Eita diazinho... Espere-me no shopping.

Lembrei-me que a Mcdonalds agora vendia café. Eu necessitava de um. Café ou cigarros. Café seria melhor. E com o MP3 no ouvido, uma cara totalmente fechada para as pessoas ao redor e o desejo incessante de café, desço do ônibus e o encontro. Para piorar, esperando meu café e as batatas fritas, coca-cola e Mchicken dele, vejo ao meu lado uma menina cuja aparência nada me agrada. Não que ela seja feia, até porque não me importo com isso. Mas porque ela me lembra alguém que eu não gosto de lembrar. E eu nem conheço essa pessoa que eu não gosto de lembrar. Mas eu sei que ele... Enfim... Peguei meu café coloquei 4 pacotinhos de açúcar e queimei minha língua. Vimos livros na pequena livraria e voltamos para casa. No trajeto eu ainda encontro uma pessoa que eu nem faço questão de ver.

O dia foi realmente ruim. Deus jogou os dados ruins para o meu dia. E desejo mais um copo de 200 ml do café preto e quente da Mcdonalds. Talvez um de 300 ml seja até melhor.


Escutando: Sober - Muse
Foto: The McCafe. by ~transientt

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sanduíche de queijo


Ele acordou com o sol batendo na cama e com ela ao seu lado.
Sorriu.
Era a melhor forma de mostrar como ele estava feliz ao tê-la ali.
Vê-la respirando lentamente, com os cabelos bagunçados de tanto se mexer pela noite, e com seu pijama de vaquinha favorito. Aquele que ela até tinha pena de usar por ser tão fofinho.
Os raios claros e vibrantes do sol de 7 da manhã alisavam a face dela, esquentando-os devagar, e fazendo-a acordar aos poucos.
Ao abrir os olhos, ela se deparou com os dele, observando-a atentamente.
- Dormi muito?
- Bastante.
- Humm – ela gemeu. Odiava deixar as pessoas esperando.
- Brincando. Mas você devia dormir mais um pouco... É bom te observar dormir.
- Rá. Agora que eu não volto mesmo.

E os dois ficaram ali um olhando o outro como se o mundo ao redor tivesse parado, e só um ao outro fosse realmente importante.

- Vamos tomar café? – ela perguntou. Estava com fome.
- O que você quiser.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Então eu quero...
- Um beijo?
- Hmmm... Depois de um sanduíche de queijo, um beijo não seria nada mal.

E depois de apostar corrida até a cozinha, preparar e comer 3 sanduíches de queijo, eles se beijaram e passaram o resto do dia comendo besteiras, compondo, tocando, assistindo filmes e desenhos, brincando, desenhando...


Juntos. Como queijo derretido no pão.


Escutando: A minor incident - Badly drown boy (About a boy soundtrack)
Foto: Melted Grilled Cheese by ~GrayMegumi (Deviantart)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Nada, café e números.


Acordei e olhei o teto branco do quarto.
Já era fim da manhã, e meu corpo não encontrava forças para se levantar da cama.
Odeio quando isso acontece.
Os pensamentos invadem a mente,
E fazem confusões antes mesmo da pessoa considerar-se devidamente acordada.
As persianas faziam com que a luz não iluminasse bem o quarto,
O que só atrapalha mais o momento de se levantar.
Maldita persiana.
Levantei,
E apesar de já ser 12:00 e o almoço já estar quase pronto,
Preparei uma grande xícara de café,
E sentei na varanda.
Talvez observar o céu nublado de outono,
Com uma lista de matemática e café,
Faça o feriado um pouco diferente.


Escutando: A TV na sala ao lado.
Foto: coffee cup by ~Sugil

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Avião de papel


Sempre que estava ao seu lado, ela via um avião.
- Olha querido, um avião!
E apontava para o céu escuro e estrelado. Ele acompanhava seu dedo e também observava o pontinho brilhante se movimentando naquele breu. Ela adorava ver os aviões cruzando o céu. E era estranho perceber que sempre na presença dele, um avião navegava o céu acima de sua cabeça. Não era estranho saber que um objeto de mais de 1 tonelada estava voando, mas estranho porque ela lembrou-se de um texto que havia escrito mais de um ano atrás. Ao chegar em casa, ela abriu sua caixinha e viu o papel dobrado:

“Lá estava eu. Começo da noite. Sozinha. Na praça. Lendo.
Quando escuto, de repente, um som que simplesmente adoro. O som de turbinas de avião. Eu sempre imagino para onde este avião está indo... Está saindo do aeroporto ou está chegando à ele? Está indo para a Europa, Ásia? Ou está vindo de São Paulo, Curitiba?

Eu procurei, e procurei... Mas não encontrei o avião. Apenas podia escutar a música de suas turbinas. Ele deve ser que nem o amor. Posso ouvir, mas não consigo encontrar.”

Será que agora que ela via o avião, ela encontrara o amor? Depois de um tempo com a presença dele, talvez ela pudesse dizer que sim. Sentia-se bem ao seu lado. Coisa que não esperava. Sentia-se segura. Ela teve medo de se aproximar, e sabia que ele queria se aproximar a muito tempo. Decidiu aprender a fazer aviõezinhos de papel. Nunca aprendeu a fazer e agora parecia o momento certo. Depois de 2 aulas com seu amigo, fez numa folha que tinha sua música favorita, um aviãozinho mal feito. Mal feito porque não havia tempo para aperfeiçoar. Escreveu uma pergunta com canetinha vermelha nas asas do avião de papel branco e deu para ele. Por incrível que pareça, ele estava tão animado contando uma história sobre não-lembro-o-quê enquanto ela entregou o avião, que ele não conseguia ler as 3 palavrinhas escritas. E ela não conseguia acreditar na cena quando ele falou rindo:
- Vamos ver se seu avião voa
E ao falar isso, jogar o aviãozinho fazendo-o parecer um kamikaze encontrando o chão. Novamente ela não conseguiu acreditar e gritou:
- Pegue o avião seu idiota!
Quando ele finalmente leu as palavras escritas e a abraçou fortemente.

- Sim – ele disse.



[Quer namorar comigo? s2] (Em canetinha vermelha)

Foto: paper plane - I by *quelquechose
Escutando: Paper planes - I'm from Barcelona