quarta-feira, 23 de junho de 2010

São João


O dia tinha sido ruim. Para começar, teve que acordar cedo e ir ao centro da cidade com a mãe. Passou o dia todo andando, sem a mínina paciência para a conversa entre sua mãe e sua avó. Seu calcanhar doía. A cabeça também. Terrivelmente. Só pensava em chegar em casa e cair na cama. Nem precisava tomar banho. Uma cama e uma almofada já estariam ótimas. Porém, ao chegar em casa, viu que tinham coisas para arrumar. Deitou-se por 30 minutos no tapete do quarto. Só para sentir um pouco a necessidade de deitar em algum canto. Arrumou as coisas pendentes. É véspera de São João, e vai ter festa. Pelo menos não ficaria sozinha, ela pensou. O dia decidiu simplesmente não ser bom, e ela passou a festa sentada sozinha se empanturrando de comidas de milho, sentindo o cheiro da fumaça e da pólvora dos fogos. Tudo que queria, naquele momento, era um cigarro. Acenderia na fogueira. E ela não gosta muito de fumar, principalmente porque murcha os peitos, mas às vezes, nos sentimos tão angustiadas, tristes, dando desculpa que nossos olhos estão marejados por culpa da fumaça forte, que um cigarro não é nada quando comparado ao coração apertado.


Foto: Google
Escutando: As marteladas na cabeça pedindo cama.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Minha cabeça dói.


Sua vida está deprimente.
Os dias passam devagar,
E os ponteiros dos relógios cidade afora, parecem estar sem energia.
Sua quinta feira foi completamente tediosa.
Acordar às 10:00 com dor de cabeça depois de passar a madrugada com insônia.
Assistir Felicity. Por que ela influencia tanto nos nossos pensamentos?
Sair de casa para resolver problemas quando gostaria de resolver os seus próprios problemas mentais e emocionais.
A chuva ajuda a melancolia. Para se fixar no nosso corpo como uma praga.
Lembranças de outros tempos.
- O que aconteceria se eu tivesse feito isso? Se eu tivesse dito não?
Chegar em casa pelas 3:00 da tarde, assistir um pedaço do ‘Estranho mundo de Jack’ e correr para a cama dormir. Há algo mais para fazer?
Acordar e perceber que já está escuro lá fora. Sentar na beira da cama, colocar a cabeça nas mãos e pensar.


São 22:45.
A cabeça dói.
Dormir?


Escutando: And you tell me - A-ha
Foto: sleep by ~oXYSTERo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O banjo


Estavam deitados na cama um ao lado do outro. Cansados. Ela deitou no peito nu dele.
- Só falta o cigarro agora.
- Verdade – ela riu. – Mas eu não vou fumar mais.
- Que bom, né? E por que não?
- Porque eu li que fumar murcha os peitos.
Ele fez uma cara incrédula e cômica.
- Fumar causa câncer, e você só vai parar porque murcha os peitos?
Ela sorriu:
- É claro!
Ela sentou meio inclinada para ele.
- Adoro ficar assim com você.
- Eu também.
Ele observou o corpo nu dela.
- Você deveria ficar assim mais vezes.
- Assim como?
- Nua. Mas só para mim.
- É, né?
- É.
Aquela era uma tarde em que ela se sentia bem. Muito bem na verdade. Em que ela imaginava tudo aquilo como uma cena de filme, só o homem e a mulher, deitados na cama, conversando suas idéias inúteis, com o banjo recém comprado dele deitado no chão e o som ao longe tocando talvez Bob Dylan. Mais tarde ela faria um bom café e ouviria Joni Mitchell para aquecer antes da sua aula de finlandês. Isso sim é um bom começo de fim de semana.


Ouvindo: Safe and sound - Azure Ray
Foto: ban by ~HerrWilliam (Deviantart) (É ele quem toca banjo, mas ela achou a foto linda)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Eu sou uma árvore



Eu gosto de ver árvores retamente podadas. Ou circulamente. Mas podadas. Me dá a impressão de que a vida das árvores estão devidamente organizadas. Sem nenhum galhinho atrapalhando a beleza e o prazer de estar organizada e podada. Eu queria que minha vida fosse podada. Estou vivendo uma verdadeira bagunça. Parece que pegaram minha alma e deram vários nós. Que pegaram meus neurônios e misturaram todos. Eu sou uma árvore não-podada. Cheia de galhos atrevidos atrapalhando toda a minha copa. E eu realmente não encontrava forma para me podar. Na verdade, meus recursos criativos e imaginários tinham se esgotado. Eu não conseguia mais dar frutos. Eu sou uma árvore infrutífera. Decidi procurar algo ou alguém para me podar. Falei com algumas árvores amigas, que eram podadas. Elas me deram várias receitas, mas nada adiantou. Chamei um jardineiro, mas ele só fez alguns cortes em mim que doeram por mais de duas semanas. Foi aó que cheguei a conclusão: o único ser que pode me podar, sou eu mesma.

(Um dos textos mais bizarros que já escrevi na minha vida)
25 de setembro de 2008.

Foto: Trees by *complejo

quarta-feira, 3 de março de 2010

As lágrimas de Hanna


Ela fez o café e sentou na cama tomando aos pequenos goles a bebida preta e quente. Tão quente que sua língua queimou, e isto a fez lembrar como estava triste. A pequena dor fez as lágrimas começarem a cair, devagar, como o começo da chuva no outono. Terminou o café e deitou-se na cama, sentindo as gotas de sua chuva parar no outro olho. Ele chegou e a viu no quarto, com o disco que já tinha acabado ainda rodando na vitrola. Desligou-o. Deitou-se ao seu lado e secou suas lágrimas. Deitou sua cabeça no peito dela, e ela o acariciou. Não entendia, mas aquilo a acalmava enquanto as lágrimas ainda caiam e ele podia a sentir soluçar. Ela queria falar, mas não tinha vontade. Ele preferiu deixá-la em silêncio. Era noite. E deitados dessa forma, dormiram juntos até a manhã aparecer.

Ouvindo: Both sides now - Joni Mitchell (Love actually soundtrack)
Foto: Tears by ~marklarka

sábado, 14 de novembro de 2009

Longe


É hora de se ausentar por uns dias...

Escutando: Breathe (Piano version) - Paramore
Foto: Walking_Away_by_JordanRobin (Deviantart)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um triz.


A porta está rangendo e mal abre.
O celular não carrega a bateria.
O som não consegue ler o CD,
Nem o computador consegue ler o documento.
O potinho de vidro caiu no chão e quebrou.
A vitrola arranha e trava na música do Radiohead.

O Tudo bem está com defeito e não mais funciona.
A linha está por um fio.


Escutando: Decode - Paramore
Foto: Broken by *la-soucoupe-volante